sexta-feira, 31 de julho de 2009

GESTÃO DO CONHECIMENTO

Xenofobia é o medo (fobia, aversão) que o ser humano normalmente tem ao que é diferente (para este indivíduo).Este medo esta presente no dia a dia das nossas vidas. Temos medos, culturais, raciais e incluo tambem as Inovações Tecnológicas.

Desde o início de minha vida profissional, no princípio dos anos setenta, tenho sido testemunha de experiências de implementação de Melhoria de Qualidade em diversas empresas, sobretudo nas pertencentes a grupos multi-nacionais. Todas elas foram colocadas em prática de acordo com modelos propostos por especialistas estrangeiros e, na maioria dos casos, o esforço empreendido em sua execução não foi compensado com bons resultados, ocasionando um progressivo abandono das mesmas. Não obstante, técnicos e especialistas continuam tentando adequar estes métodos – que estão disponíveis no mercado sob diversos nomes e denominações – à realidade brasileira. Por que teorias com práticas supostamente tão eficazes têm aplicação tão difícil em nossa realidade? Quais os fatores que poderiam nos aproximar de algum sucesso e, conseqüentemente, permitir a continuidade na implementação das atividades?

No tocante às metodologias propostas pelos especialistas, pode-se dizer que elas compartilham uma espinha dorsal comum, correspondente ao que entendemos como "método científico". Assim, é possível argumentar que são variações originadas de uma mesma raiz; evoluções tonais de uma mesma melodia. Equipes de sucesso não se caracterizam pela aplicação obsessiva de métodos. No complexo jogo das relações sociais, outros aspectos complementares tendem a se impor e a configurar fatores mais decisivos. Dentre estes aspectos, podemos citar o ambiente de trabalho em uma empresa, o fator humano e as complexidades técnicas e relacionais da vida cotidiana.

Ao longo da minha vida, aprendi que as pessoas agem a partir de um mecanismo de rejeição a qualquer tipo de mudança, e isso vale também para o ambiente de trabalho. Aprendi também que instabilidades psicológicas elevam o risco do erro, o que só corrobora a idéia do mecanismo de rejeição, ulteriormente inibidor do sucesso. Portanto, se quisermos aumentar as chances de sucesso e as probabilidades de continuidade, temos que dedicar atenção especial à neutralização dos efeitos destes mecanismos mentais e psicológicos.

Por outro lado muitas pessoas, e me somo a elas, se debruçam hoje sobre o tema da gestão do conhecimento com uma forte impressão de que se trata de algo totalmente novo, algo revolucionário, que está mudando radicalmente a estratégia das organizações, sendo o seu domínio imprescindível, e assim por diante. Se fizermos pesquisas no mundo da internet ficaremos impressionados com os milhares de páginas dedicadas ao tema.

Na verdade, a gestão do conhecimento tem ocupado um espaço privilegiado nos cenários de preocupações ascendentes de nossa época. Mas qual seria a razão, ou melhor, as razões? Dificilmente conseguirei enumerar todas elas, mas talvez seja interessante ponderar sobre algumas.

O tratamento do conhecimento não é, absolutamente, algo de novo. Poderíamos até dizer que ele é tão antigo quanto o ser humano. Imagino que, quando o homem desceu das árvores e olhou para o alto, iniciou anotações sobre o comportamento dos astros. Os sofistas e/ou pré-socráticos, a cultura milenar chinesa e outros povos então ignorados pela civilização ocidental já se preocupavam em registrar e transmitir seus pensamentos e interpretações sobre os acontecimentos a sua volta.

Este intróito pode parecer óbvio e desnecessário, mas é importante que nos lembremos de que estamos lidando com um velho problema, que já era fonte de preocupações para Platão: como gerir o conhecimento? E mais: se este conhecimento e a sua gestão são tão antigos, por que estão ocupando espaço cada vez maior na pauta do dia?


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente, invente mas comente diferente.